Parabéns prá você – a maldição do “ratimbum”

Parabéns prá você – a maldição do “ratimbum”

Festa de aniversário

Circula pela internet um email alertando o “povo de Deus” sobre os supostos “poderes maléficos” da expressão “rá-tim-bum”, presente no famoso bordão cantado em festas de aniversário Brasil afora, logo depois da onipresente “Parabéns prá você”.

Eis aqui o conteúdo do email:

Assunto: Significado de RATIMBUM quando se canta o PARABÉNS!

RATIMBUM é uma palavra mágica usada pelos magos persas desde a Idade Média. Por muito tempo cantamos inocentemente um “Parabéns” para alguém que está aniversariando e, até ai, tudo bem, tudo certo. Afinal, é um aniversário.

O que muitos não percebem é que depois da música vem sempre o tal de Ra-tim-bum (= EU AMALDIÇOO VOCÊ !)

Existe até hoje na TV Cultura um programa infantil, chamado de Castelo Ratimbum, que obviamente tem o significado de “Castelo da Maldição”.

Precisamos vigiar mais, pois até a Bíblia diz que o povo de Deus perece por falta de conhecimento.
Como podemos cantar felicitando uma pessoa e depois amaldiçoá-la?

Tomemos muito cuidado!!!

Observe que detalhe sutil: depois de dizer a palavra Ratimbum, pronuncia-se o nome do aniversariante várias vezes.

Quantas vezes você já cantou para as pessoas:

” É BIG, É BIG (é grande, é grande), É HORA, É HORA (neste momento; nesta ocasião):
RA-TIM-BUM (EU AMALDIÇOO VOCÊ), Fulano, Fulano, Fulano”. Será que era isso mesmo que você queria dizer?

Repasse este e-mail para outros, para que conheçam e não mais repitam palavras sem saber o significado, a origem e o que está por detrás delas.

A mensagem é um típico caso de hoax, lenda urbana. Traz uma explicação estapafúrdia e absurda para algo cuja explicação real a maioria das pessoas desconhece, e o faz de maneira simplória, utilizando uma linguagem primária e não convincente, eivada de erros de português (entre os quais, escrever “ratinbum” com um “n” antes do “b”, um erro crasso que qualquer criança do primário apontaria), e, pior criando um clima de conspiração contra algo supostamente maligno.

Um outro erro do email é dizer que o bordão começa com “É BIG, É BIG (é grande, é grande)”, quando o correto é “É PIQUE, É PIQUE”. Curiosamente, este é um erro cometido por muita gente que, nos aniversários, realmente canta “é big, é big” achando que o refrão teria algo a ver com a língua inglesa.

Mas o que significa então o “rá-tim-bum”, tão famoso a ponto de ter se tornado até nome de programa infantil de televisão? Uma explicação podemos encontrar na Revista Pesquisa Fapesp, número 106, de dezembro de 2004. Lá descobrimos que o famoso bordão teria sido criado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a mais antiga das unidades que originaram a USP (Universidade de São Paulo), e suas raízes remontariam à década de 30. Na verdade, teria havido uma colagem de bordões daqueles típicos do ambiente estudantil, pródigo em criar frases de efeito e gritos de guerra que se eternizam na memória de quem quer que os tenha vivido.

O “é pique, é pique” teria sido uma saudação ao estudante Ubirajara Martins, o “Pic-pic”, pois estava o tempo todo aparando a barba e o bigode com uma tesourinha. “É hora, é hora” era utilizado como grito de guerra nos bares, onde os estudantes tinha que esperar meia hora pela próxima rodada de cerveja, tempo que levava para esta ser esfriada em barras de gelo. E finalmente, o famoso “rá-tim-bum” seria uma referência a um rajá indiano chamado “Timbum”, que visitou a faculdade, e cuja sonoridade do nome marcou os estudantes, que cantavam nas mesas do restaurante Ponto Chic:

“Pic-pic, pic-pic; meia hora, é hora, é hora, é hora; rá, já, tim, bum!

Da faculdade, o bordão teria migrado para as festas de aniversário às quais os estudantes eram convidados, e onde cantavam os seus refrões e bordões. Até chegar aos nossos dias na sua versão atual: “É pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá, tim, bum!”.

Esta explicação teria sido endossada pelo próprio diretor da Faculdade, Eduardo Marchi, em um discurso feito em 2002.

Pode até não ser verdade, mas certamente é mais crível que o hoax sobre a “maldição do ratimbum”.

Leia no Semsaco.com outros casos de hoaxes e lendas urbanas.


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